Estudo revela que a maioria das famílias portuguesas não está na comercializadora mais vantajosa para o seu perfil de consumo.
A maioria dos agregados familiares portugueses encontra-se numa situação pouco vantajosa no que respeita ao fornecimento de energia eléctrica, segundo revela um estudo recente. De acordo com os resultados, cerca de 60% dos consumidores estão a pagar mais do que deveriam — ou seja, não estão subscritos à comercializadora ou ao tarifário que melhor se adequa ao seu perfil de consumo.
O que mostra o estudo
O levantamento indica que muitos dos lares em Portugal não beneficiam de mudança de comercializadora, análise regular do seu perfil de consumo ou otimização da potência contratada, fatores que contribuem para uma fatura maior do que a estritamente necessária.
Exemplo: Um estudo divulgado pela empresa especializada em autoconsumo refere que 69% dos portugueses «não concordam com o valor cobrado mensalmente na sua fatura de electricidade e acreditam que actualmente pagam demasiado pela energia que consomem».
Ainda que esta estatística não confirme isoladamente os "60%" com exatidão, funciona como sinal claro de descontentamento e de oportunidade de poupança.
Contexto nacional: o peso da fatura
Os preços da electricidade em Portugal já são, globalmente, elevados. Em 2019, por exemplo, as famílias portuguesas pagaram um dos valores mais altos da União Europeia quando se considera o poder de compra.
Um dos factores apontados é a elevada carga fiscal que pesa sobre a factura elétrica — no passado, chegou a ser reportado que cerca de 55% do valor da fatura corresponde ao peso fiscal/impostos.
Neste quadro, estar na tarifa errada ou no fornecedor menos ajustado ao perfil tem impacto direto no orçamento familiar.
Por que tantas famílias pagam a mais
Vários factores explicam porque tantas famílias não estão no tarifário mais vantajoso:
Falta de comparativos ou revisão periódica
Muitos consumidores não comparam activamente as ofertas disponíveis ou não analisam se o tarifário contratado ainda corresponde ao seu consumo real.
Potência contratada inadequada
Uma potência contratada acima ou muito abaixo das necessidades reais pode gerar custos maiores ou perdas de eficiência. Por exemplo, um estudo refere que 30,5% dos inquiridos sabem que têm uma potência contratada que não se ajusta às suas necessidades.
Complexidade da oferta
O mercado liberalizado de energia permite múltiplas comercializadoras e planos tarifários. Para muitos consumidores, avaliar qual opção é mais vantajosa — considerando horas de consumo, perfil horário, energia verde, etc. — pode ser complexo.
Inércia
Mesmo sabendo que o tarifário pode ser revisto, muitos não tomam iniciativa por considerar que o esforço ou o tempo não compensam, ou por simplesmente desconhecer alternativas vantajosas.
Potencial de poupança
Se cerca de 60% das famílias estão a pagar "a mais", então existe um potencial significativo de poupança no sector doméstico. A revisão do contrato de energia, a identificação de consumos excessivos em horários caros, e eventualmente a mudança da potência ou do fornecedor, podem levar a reduções expressivas nos encargos mensais.
Além disso, esta situação reforça a importância de adoção de práticas de eficiência energética e autoconsumo (por exemplo, através de painéis fotovoltaicos) como forma de mitigação da dependência de tarifas elevadas.
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Simular Poupança AgoraImplicações para políticas públicas e mercado
Este cenário — de muitos consumidores a pagarem mais do que o "necessário" — levanta várias questões relevantes para o sector:
Transparência e literacia energética
Melhorar a informação aos consumidores sobre como escolher o tarifário adequado, comparar ofertas e entender a sua fatura.
Promoção de mecanismos de mudança fácil
Embora o mercado esteja liberalizado, retirar vantagem plena dessa abertura exige esforço. Facilitar esse processo pode gerar benefícios para as famílias.
Potencial papel das comercializadoras e regulador
As empresas do sector, bem como o regulador (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos — ERSE), poderão promover campanhas de sensibilização para revisão de contratos, e talvez incentivar planos tarifários mais alinhados com perfis de consumo variáveis.
Eficiência energética e autoconsumo
Num contexto em que uma parte significativa do custo da fatura resulta de encargos fixos e impostos, as iniciativas que reduzem o consumo ou geram energia própria podem atenuar o impacto tarifário.
Considerações finais
Enquanto o mercado de energia para consumidores domésticos em Portugal oferece opções — o que em teoria reforça a possibilidade de escolha vantajosa — a prática mostra que muitos agregados ainda não estão a beneficiar desses avanços. O facto de estimar-se que cerca de 60% das famílias estejam "no lado errado" do tarifário sugere uma clara oportunidade tanto para os consumidores como para os intervenientes do sector.
Para o consumidor médio, a conclusão é directa: vale a pena dedicar algum tempo para analisar a própria fatura, comparar ofertas de comercializadora, rever a potência contratada e perguntar se o tarifário escolhido é o mais adaptado ao perfil de consumo.